João era um rapaz trabalhador, inteligente e querido por sua comunidade. Casado com Maria, tinha um filho. João era um dos tantos brasileiros que, dia pós dia, lutava por algo melhor. Um "algo" que João sequer sabia explicar o que era. Perseguia o que nem sabia se poderia alcançar. João sabia que para aqueles que semeiam o bem a colheita um dia haveria de ser farta de bondade.
Sempre disposto a ouvir e ajudar, João não media esforços para oferecer o ombro amigo. Por vezes colocou seus interesses em risco por se doar demais aos outros. João era um sujeito que muitas pessoas queriam por perto. Autêntico, verdadeiro e justo. Este rapaz tinha uma luz que brilhava em seu interior. Todos diziam que João tinha o DNA do sucesso. O liquido que move as pessoas de sucesso corria em suas veias. A essência dos vencedores estava guardada em seu coração.
Mas João custava a crer em si mesmo. Era inseguro e comedido. Poucos sabiam de seu sentimento e poucos lhe ofereciam o mesmo ombro amigo para que pudesse ser ouvido. Capaz de ajudar, mas não de ser ajudado, este era o pensamento de João. Achava pouco provável que um dia isso fosse mudar. Sua mulher, Maria, era ótima como companhia, mas péssima em percepção de detalhes. Maria sorvia daquele dom de ouvir de João, sentia-se aliviada quando podia ouvir seus sábios conselhos, mas jamais imaginara que o próprio conselheiro deveria ser aconselhado.
João nascia toda manhã com um objetivo claro em mente. Mudar. O que ele não sabia, mas era preciso mudar. João sabia que, em sem íntimo, pequenas mudanças haveriam de consumir dias de adaptação e sofrimento. Como um náufrago que está em uma ilha, João sabia que era preciso nadar para chegar a praia. Lhe faltava, porém, a coragem para encarar aquele salgado e assustador mar, o mar da incerteza.
Anos e anos assim e João, a cada novo amanhecer renovava sua fé na mudança. Alimentava-se de esperança, supria sua mente de coragem e... faltava-lhe a certeza de que estava no caminho certo. Os erros da vida deixaram João amedrontado. Estava faltando o ombro certo para lhe ouvir. Faltava-lhe aquilo que tanto podia oferecer, atenção, carinho. Não por mal, mas quão forte João parecia ser, ninguém ousava em afirmar que naquele coração não tinha um dragão, mas sim um amedrontado menino, que tal qual seu filho necessitava da mão de alguém para arriscar o primeiro passo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário