segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Banalização da informação

Parece estranho. Você já reparou que em épocas festivas (natal, fim de ano, páscoa, dia das mães) é bem comum lembrarmos de algum tipo de tragédia? Meu pai sempre dizia: -não saia para fazer viagens, passeios diferentes, coisas fora da rotina, próximo ou em de datas importantes. Mas porque pai?, sempre indaguei. -Porque nestas datas sempre acontecem tragédias.

Isto ouço desde muito criança. Como parte da psicologia de filho que tenta entender os pais, sempre me perguntei se isso fazia sentido. O detalhe, sempre respeitei o conselho do pai. Nunca programei nada muito diferente da minha rotina em datas como estas, tanto é que, em quase 30 anos passei dois aniversários de meus pais (um de meu pai e outro de minha mãe) longe deles. 

Filosofando, como sempre, e repercutindo a notícia que vi hoje pela manhã, onde 4 pessoas morreram em um acidente em Iraceminha (www.portofeliz.am.br), lembrei do velho conselho novamente. Tá, mas será que nos impacta porque é início de ano, porque envolve mais de uma pessoa ou porque a informação de tragédia foi banalizada e não damos bola para os acidentes corriqueiros e implacáveis do dia-a-dia? Sim porque é "de praxe" pessoas perderem a vida, tragicamente, aqui na região e no resto do mundo também. 

O que me parece é que as vezes, de tanto a mídia mostrar, perdeu a graça. Já é banal. Não muda nada saber ou não saber. Salvo quando ocorre próximo de nosso circulo de amizade/parentesco, ou? Ou quando estamos mais sensíveis e percebemos o quanto impactante pode ser uma tragédia.

Mais sensíveis? É! Acho que uma explicação pode ser o senso humano. Datas especiais como o Natal, por exemplo, deixa as pessoas mais unidas, mais sensíveis e até mais adoráveis. O mais turrão, o chato, nesta época fica mais suave. E essa sensibilidade conjunta acho que nos deixa mais vulnerável na percepção de uma tragédia, por exemplo. Nos colocamos "no lugar" de quem sofre com o ocorrido.

No restante do ano acho que corremos tanto que nossa visão periférica não nos permite olhar fixamente a nada, salvo a ponta de nosso próprio nariz.

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