domingo, 9 de outubro de 2011

Produção versus Exploração

É uma questão de lógica. A família cresce, aumenta. Logo temos que ter mais cômodos na moradia, carros maiores, etc. O espaço físico precisa ser alterado. Uma casa maior precisa de terreno disponível e aquele pomar que você tinha nos fundos da casa, por exemplo, terá que ser sacrificado.

Estou usando o sentido figurado e um exemplo simples para ilustrar um dado preocupante, sobretudo para moradores do Oeste e extremo-oeste de Santa Catarina. O crescimento das cidades e o aumento significativo da produção, especialmente agrícola, tem feito com que nossa região entre para as estatísticas negativas com relação a áreas verdes.

O jornal Diário Catarinense de 11 de Julho deste ano trazia reportagem especial com o tema "Floresta Catarinense - Maior e mais jovem, mas empobrecida". No trabalho jornalístico foram apresentados números alarmantes. Um levantamento feito em 550 pontos de amostragem  constatou que o Estado tem apenas 36% de cobertura florestal. Destes a maior parte não é de espécies nativas, ou seja, foram plantadas, e 25% estão sob ameaça de extinção. 

Neste cenário, cujos dados foram retirados de um estudo coordenado por instituições como a Furb, Ufsc e Epagri, a região extremo-oeste recebe destaque negativo. De acordo com o levantamento a cidade de São Miguel do Oeste tem, apenas, 10% de florestas, enquanto, em Blumenau, a cobertura chega a 65%.

Ainda conforme o estudo, boa parte das áreas de mata virgem de nosso Estado encontram-se em áreas de difícil acesso e com relevo bastante acidentado, como por exemplo na Serra Geral, onde ainda encontram-se exemplares de vegetação catalogadas na época de colonização.

Eu já me deparei, várias vezes, com situações em que, em uma conversa entre amigos, se faz referência a qualidade do ar, a vegetação e a preservação desta região onde vivemos (oeste). Comparativos acontecem e os oestinos costumam dizer que é bem melhor viver aqui do que em regiões mais populosas do Estado, justamente por serem áreas mais preservadas e com área verde à vontade. Pois é, acho que está na hora de observarmos melhor os números e revermos nossos conceitos.

O aumento da produção agrícola, que é nosso carro chefe, esta fazendo nossa região se tornar uma grande área de produção básica, produtos alimentícios, e este crescimento desordenado está acabando com o resto de mata que tínhamos. Enquanto isso em outras regiões deste mesmo Estado a realidade é totalmente diferente.

A luz de alerta está acesa. É preciso rever alguns conceitos se quisermos deixar terra fertil aos nossos descendentes. Está mais do que provado que a exploração desordenada dos recursos naturais reflete diretamente no funcionamento do clima e seus reflexos são sentidos imediatamente.

Ainda dá tempo. Se fores planejar um aumento na família, pense primeiro que mundo você vai deixar para ele ou ela, afinal, se não mudares a forma de viver, o vento que semeias agora, será colhido, em forma de tempestade, amanhã, pelo seu filho.

Em tempo:

O estudo desenvolvido no Estado de Santa Catarina e que até então é o primeiro no Brasil a trazer detalhes tão minuciosos chama-se: Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina. Os dados começaram a ser coletados em 2007 e neste ano foram divulgadas as primeiras constatações. O estudo foi viabilizado através de aporte financeiro da ordem de R$ 4 milhões da FAPESC - Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de SC.

Um comentário:

  1. façamos entao um proposito , do contrario nossos filhos ...tadinhos...viverao em ares bem carregados...

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